Impactes Não Intencionais da Acção Social. Consequências, impactes ou efeitos negativos ou positivos - imprevistos e não intencionais - resultantes de acções intencionais iniciadas com outros propósitos que não aqueles em que resultam. Resultado não intencional de acções intencionais. São aquilo que Raymond Boudon designava de «effects pervers», Robert K. Merton de «unanticipated consequences of purposive social action» e Jon Elster de «unintended consequences of action».
O Paradoxo de Olson. Por vezes, indivíduos, ou grupos de indivíduos, encetam uma determinada forma de comportamento oportunista motivada por determinados interesses particulares a que se dá o nome de «paradoxo de Olson». O «paradoxo de Olson» refere-se ao desenvolvimento de determinado tipo de comportamento, baseado no cálculo racional de custos-benefícios, onde se procura tirar partido das vantagens de algo, sem a assunção dos respectivos encargos, ónus ou contrapartidas. Nesses casos, os «custos» ficam a cargo de terceiros. A esses indivíduos, ou grupos, que procuram retirar o máximo de benefícios da acção de outros evitando, simultânea e intencionalmente, os respectivos ónus dá-se o nome de «free-riders». A designação «paradoxo de Olson» resulta do facto deste princípio ter sido expresso, primeiramente, por Mancur Olson, sociólogo e economista de origem norte-americana, na sua obra «A Lógica da Acção Colectiva» (1971). Entre os inúmeros exemplos típicos deste tipo de comportamento encontram-se, por exemplo, a greve motivada pela contestação salarial e o trabalho em equipa desequilibrado. No primeiro caso, aqueles que não fazem greve usufruem, por norma, dos benefícios da acção daqueles que fazem greve sem, todavia, assumirem os riscos e custos que esse comportamento envolve. No segundo caso, aqueles que menos contribuem para os resultados do trabalho em equipa são, habitualmente, tão beneficiados como os restantes.
Olson, Mancur (1971 [1998]), A Lógica da Acção Colectiva: Bens Públicos e a Teoria dos Grupos, Oeiras: Celta.
Uma breve nota adicional, de carácter excepcional, de crítica cultural: Portugal é um país particularmente fértil no que respeita a «free-riders». Enfim, idiossincrasias culturais lusitanas.
Ludismo. Termo utilizado para classificar a atitude daqueles que estão contra a inovação tecnológica. Essa atitude de resistência à mudança possui diversas motivações. A principal razão invocada é, habitualmente, a ameaça de desumanização que, de acordo com essas pessoas, a inovação tecnológica implica. O termo ludismo reporta-se, originalmente, a um movimento social organizado contra a tecnologia que teve lugar no século XIX, entre 1811 e 1816, em Inglaterra. Deram-se, então, uma série de motins levados a cabo por parte dos membros desse movimento. Essas manifestações eram, usualmente, agressivas e violentas e culminavam, assiduamente, na destruição de maquinaria têxtil. Esses actos hostis eram justificados pela consideração, por parte desses grupos, que a introdução e generalização da maquinaria têxtil iria contribuir, inevitavelmente, para o desemprego em massa. Por vezes, fala-se de neo-luditas e de Neoludismo para falar das atitudes das pessoas e dos grupos sociais que revelam atitudes de grande resistência no que respeita à introdução de novas tecnologias nas sociedades contemporâneas.
McDonaldização. Termo controverso originalmente cunhado e desenvolvido por George Ritzer, sociólogo norte-americano da Universidade de Maryland, para se referir à radicalização do processo de racionalização nas
sociedades contemporâneas. McDonaldização, diz-nos Ritzer, "é o processo pelo qual os princípios do restaurante de comida rápida estão a dominar cada vez mais sectores da sociedade norte-americana, bem como do resto do mundo" (Ritzer, 1993:1; nossa tradução). Esse processo assenta então, segundo o autor, na consolidação e generalização do modelo da indústria da "fast-food" enquanto paradigma organizacional e social predominante na contemporaneidade. Esse paradigma, crescentemente hegemónico, fundamenta-se em cinco princípios básicos: eficiência, calculabilidade, previsibilidade, controlo acrescido e substituição de tecnologia humana por tecnologia não-humana. Após a publicação da obra de Ritzer, um clássico da análise sociológica dos anos noventa, alguns autores procuraram reformular o argumento do autor recorrendo a termos não menos originais. Alan Bryman, por exemplo, tem proposto um conceito improvável e inaudito: a «disneyzação da sociedade».
Ritzer, George (1993), The McDonaldization of Society, Thousand Oaks: Pine Forge Press.
Rede. "O uso mais geral para o termo «rede» é para uma estrutura de laços entre os actores de um sistema social. Estes actores podem ser papéis, indivíduos, organizações, sectores ou estados-nação. Os seus laços podem basear-se na conversação, afecto, amizade, parentesco, autoridade, troca económica, troca de informação ou qualquer outra coisa que constitua a base de uma relação." (Nohria & Eccles, 1992: 288).
Nohria, Nitin e Robert G. Eccles (eds.) (1992), Networks and Organizations: Structure, Form, and Action, Boston: Harvard Business School Press.
Credencialismo. Conceito de inspiração weberiana desenvolvido, primacialmente, por Frank Parkin para se referir à "utilização inflacionada dos certificados educacionais como meio de monitorizar a entrada para posições chave na divisão do trabalho" (Parkin, 1979: 54, nossa tradução).
Parkin, Frank (1979), Marxism and Class Theory: A Bourgeois Critique, Londres: Tavistock.
Intradução. Os livros, como outros produtos culturais, podem ser exportados ou importados. Essa importação ou exportação pode ser feita por meio de originais ou através de tradução. Intradução refere-se à importação literária sob a forma de tradução. Inversamente, a extradução reporta-se à exportação sob a forma de tradução. Portugal, por exemplo, é, tradicionalmente, um país com uma elevada taxa de intradução, por oposição a países cujas taxas de intradução são exíguas como, por exemplo, o Reino Unido ou os Estados Unidos da América. Este termo é aplicado nos campos da sociologia da edição, do livro e da literatura e foi desenvolvido por autores como Pascale Casanova ou Joseph Jurt, entre outros.
Sociologia. "[Sociologia é] o que fazem os sociólogos" (Costa, 1992: 9).
Costa, António Firmino da (1992), Sociologia, Lisboa: Difusão Cultural.