junho 25, 2003

Socioblogosfera: Um Retrato Singular (act.)

Apesar do pensamento e teoria sociais (ainda) ocuparem um espaço diminuto na blogosfera, regozijo com algumas das menções que por aí se fazem. João Gonçalves (Portugal dos Pequeninos) fala em Roland Barthes; Almocreve das Petas em Michel Maffesolli, Pierre Bourdieu, Mike Featherstone (e tem ligações para materiais de e sobre Jean Baudrillard e Jürgen Habermas); Pedro Mexia (Dicionário do Diabo) refere Max Weber; Bruno Sena Martins (Avatares de um Desejo) e Tiago de Oliveira Cavaco (Voz do Deserto) mencionam Michel Foucault; Rui Grilo (5minutos) alude a Richard Sennett; Francisco José Viegas (Aviz) aflora George Steiner, Jürgen Habermas e Michel Foucault. Além de não faltarem, também por aí, pessoas associadas à esfera (campo, sistema ou arena, dependendo da escola de pensamento) das ciências sociais: investigadores, professores e estudantes (de história, psicologia social, sociologia e antropologia). Falo, designadamente, de Nuno Jerónimo (sociologia, Diário Interior, Blogue dos Marretas), Miguel Vale de Almeida (antropologia, Os Tempos que Correm), José Pacheco Pereira (história, Abrupto, Estudos sobre o Comunismo), Rui Branco (história, País Relativo), Pedro Adão e Silva (sociologia, País Relativo), Miguel Cabrita (sociologia, País Relativo), Filipe Nunes (sociologia, País Relativo), Bruno Sena Martins (antropologia, Avatares de um Desejo), Ana Teles (sociologia, A Girl's Thoughts, Lua), Isabel Tilly (psicologia social, Monólogo). O pensamento e teoria sociais não são uma ausência na esfera, são uma «ausência presente». Melhor: uma (des)presença. O fenómeno intriga-me. Talvez Jill Walker e Torill Mortensen, gestores de dois dos mais relevantes blogues de investigação (respectivamente o jill/txt e o thinking through my fingers), tenham razão quando sugerem que "[academics] are so used to studying new technologies as exotic objects that they fail to see that they could be useful within academia itself" (2002: 263) [eu substituiria o termo académicos por investigadores, que podem não o ser]. Ou, porventura, estarei, de facto, a cometer as ingenuidades que o Almocreve das Petas me parece apontar. Recordando o incontornável Herberto Hélder, não será despeciendo dizer que "talvez o senhor seja mais inteligente do que eu" (Os Passos em Volta, p.12).

Mortensen, Torill e Jill Walker (2002), «Blogging thoughts: personal publication as an online research tool», in Andrew Morrison (ed.) (2002), Researching ICTs in Context, Oslo: InterMedia Report, 3/2002 [disponível online em pdf]

Publicado por socioblogue em junho 25, 2003 01:40 AM
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