Saiu hoje no jornal «O Público» um artigo da jornalista Ana Cristina Pereira sobre a reclusão feminina. Intitula-se «Portugal é o País da União Europeia Que Mais Encarcera Mulheres». O artigo contém, entre outras coisas, menções à antropóloga Manuela Ivone Cunha (Universidade do Minho) e à socióloga Anália Cardoso Torres (CIES/ISCTE).
"(...)Portugal tem a mais alta taxa de encarceramento de mulheres, a representar 8,5 por cento do sistema prisional. Só Espanha, segundo dados do Conselho da Europa, se lhe aproxima. Os restantes países da União Europeia ficam-se abaixo dos seis por cento. Anália Cardoso Torres, co- autora da obra "Drogas e Prisões em Portugal", do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, aponta o dedo aos baixos índices de rendimento e de protecção social para justificar esta especificidade dos países do Sul. A população prisional feminina homogeneizou-se, ao longo da última década. Há uma obesa maioria unida por penas superiores a cinco anos. Não por acaso. Chegam quase todas "por droga". Contudo, "não dependem, na sua larga maioria, e ao contrário dos homens, do consumo de substâncias ilícitas", sublinha Anália Cardoso Torres. No diagnóstico publicado o ano passado, podia ver-se que mais de metade responde por tráfico (53 por cento), um crime severamente sancionado pela moldura penal. Somando os crimes de tráfico e consumo com os de consumo (já despenalizado) obtém-se outros 18, 7 por cento. O perfil social destas mulheres tem um rosto paupérrimo. Não são baronesas da droga. São mais do género de "esconder a droga no cinto do avental". Fracas qualificações escolares e profissionais desenham o seu perfil, havendo mesmo uma forte incidência de analfabetismo. As baixas habilitações limitam muito as oportunidades de trabalho, motor de inserção. E a actividade ilícita, embora arriscada, lembra Anália Cardoso Torres, surge-lhes como uma saída à miséria. O grosso das reclusas encerra histórias de vida que parecem ter saído de um livro de Charles Dickens. Vêm de bairros degradados, barracas ou acampamentos, bem batidos pelas rusgas policiais, onde o tráfico surge numa lógica de organização de sobrevivência. E, mais do que estar fechadas, como mostra a condenada por tráfico Maria Augusta, custa-lhes estar longe dos filhos, dos maridos, da família. Custa-lhe estar longe de quem, muitas vezes, desempenhou um papel decisivo na sua entrada para o crime. Identificam-se sempre de uma forma relacional - 81,6 por cento são mães. O mercado da droga não parece desdenhar das mulheres, como alguns sectores laborais. Elas entram, muitas vezes, em redes de vizinhos e de parentes. Há as que trabalham por conta própria, explica Ivone Cunha, em "Entre o Bairro e a Prisão: Tráfico e Trajectos". Mas também as que são usadas para o corte (em pacotes), para o correio. Ou as que "apanham por tabela" - são apenas cúmplices dos filhos ou companheiros. Mulheres como Maria Augusta que sabia que o filho toxicodependente traficava, mas "não podia pô-lo para fora de casa, não podia". Romper este emaranhado é tanto mais complicado quando, como foca Ivone Cunha, existe um "círculo vicioso de tráfico" que não tem só a ver com o dinheiro fácil. Os filhos menores podem iniciar-se na venda a "sequência da detenção dos pais, que por sua vez poderão reincidir no tráfico para deles retirar os filhos". E, nos bairros onde moram, as entradas e saídas da cadeia são tão frequentes que se tornaram "normais", logo, pouco recriminadas.(...)"
Aproveite-se a ocasião para recordar o admirável trabalho de Manuela Ivone Cunha no campo dos estudos prisionais em Portugal e, mais concretamente, no estudo da reclusão feminina. Primeiro, ainda enquanto investigadora do Centro de Estudos Judiciários, com a obra «Malhas que a Reclusão Tece: Questões de Identidade numa Prisão Feminina» (1996a); em seguida, com a publicação do ensaio «Corpo Recluído: Controlo e Resistência numa Prisão Feminina» (1996b), inserto na obra colectiva «Corpo Presente», organizada por Miguel Vale de Almeida; por fim, com a obra «Entre o Bairro e a Prisão: Tráfico e Trajectos» (2002), transposição para livro da sua tese de doutoramento, orientada também por Miguel Vale de Almeida. Essa obra é, sem dúvida, uma das obras maiores da antropologia portuguesa contemporânea. Esse facto levou, o próprio Vale de Almeida, a considerar no prefácio ao livro que aquele se tratava de um "ponto de viragem na antropologia portuguesa" (2002: 14). Aliás, não será despiciendo recordar que a autora ganhou com este último livro o «Prémio Sedas Nunes de Ciências Sociais 2002», porventura, o mais importante prémio de Ciências Sociais em Portugal. Fica, portanto, a sugestão.
Cunha, Manuela Ivone (1996a), Malhas que a Reclusão Tece: Questões de Identidade numa Prisão Feminina, Lisboa: Centro de Estudos Judiciários.
Cunha, Manuela Ivone (1996b), «Corpo Recluído: Controlo e Resistência numa Prisão Feminina», in Miguel Vale de Almeida (org.) (1996), Corpo Presente. Treze Reflexões Antropológicas Sobre o Corpo, Oeiras: Celta Editora, pp. 72-86.
Cunha, Manuela Ivone (2002), Entre o Bairro e a Prisão: Tráfico e Trajectos, Lisboa: Fim de Século.
primeiro parabenizar a professora Manuela pelo seu brilhante trabalho, o qual tenho grande interesse porque sou pesquisadora nessa área.Na verdade gostaria de saber como poderia adquirir suas publicações, posto que já busquei em várias editoras brasileira e não as encontrei.
Maria Moura
Quero também parabenizar Manoela Ivone Cunha por suas publicações .
Gostaria de saber,também,como posso ter acesso ás Malhas que a reclusão tece.Estou preparando uma monografia para pós graduação em Psicossomática,
sobre mente-corpo de presidiárias e necessito de mais estudos.
Agradecida
Roseli Romano
Quero também parabenizar Manoela Ivone Cunha por suas publicações .
Gostaria de saber,também,como posso ter acesso às Malhas que a reclusão tece.Estou preparando uma monografia para pós graduação em Psicossomática,
sobre mente-corpo de presidiárias e necessito de mais estudos.
Agradecida
Roseli Romano
Olá. Eu tb estou a fazer um trabalho sobre presidiárias mas na área do Teatro, se pudessemos trocar informações Roseli, agradecia-te.
Pedro Leitão
pdrleitao@sapo.pt
Gostaria de ter acsso aos textos da Manuela Ivone Cunha. Moro no Brasil, em Curitiba - Pr. Não sei se os encontro por aqui. Há alguma possibilidade de reembolso postal para adquirí-los. Estou propondo um projeto de estudo antropológico na Penitenciária Feminina de Regime Semi Aberto daqui, onde trabalho como Psicóloga.Aguardo retorno. Atenciosamente. Rocio Pimpão.
Afixado por: Maria do Rocio N. Pimpão Ferreira em setembro 25, 2004 12:53 AMGostaria também de trocar informações com pessoas que estejam trabalhando o tema relacionado a mulheres presidiárias. rocionovaes@ig.com.br
Afixado por: Maria do Rocio N. Pimpão Ferreira em setembro 25, 2004 12:58 AMGostaria de saber onde encontro Malhas que a reclusão tece: questões de identidade numa prisão feminina, pois estou fazendo uma monografia sobre o assunto. Obrigada!
Afixado por: Ivete Marques de Oliveira em setembro 26, 2004 11:02 PM
Curso Direito na Universidade Estadual de Feira de Santana e estou elaborando a monografia de conclusão de curso. Acredito que o trabalho de Manuela Ivone Cunha " Malhas que a reclusão tece: questões de identidade numa prisão feminina" será de grande utilidade. Vi que outras pessoas aqui do Brasil também estão procurando tal trabalho, olhei em vários sites de Portugal, só havendo a referência bibliográfica, sem mencionar onde encontrá-lo. Quem já teve acesso a ele, poderia entrar em contato comigo? Obrigada!
Saudações,
Tatiana
Afixado por: Tatiana E. Dias Gomes em outubro 31, 2004 10:37 PMola. eu sou uma finalista do curso de antropologia e neste momento estamos a preparar o projecto de estagio, sendo a temática do meu «quebra na liberdade- relações entre as reclusas». quero fazer observação participante com as reclusas, acordar com elas, almoçar com elas e participar no quotidiano delas. estou aberta a ideias novas.
obrigada
spiderwomen@portugalmail.pt
Ex.ma Sra Dra Manuela Ivone Cunha,
Sou estudante do 4º ano de Reabilitação e Inserção Social, no Instituto Superior de Psicologia Aplicada em Lisboa e estou fortemente interessada em realizar a minha monografia na área da inserção de mulheres reclusas. Tenho inclusivé lido os estudos sobre o Estabelecimento Prisional de Tires, mas de facto a minha maior dificuldade reside em não encontrar o instrumento adequado. Se tiver oportunidade ajude-me neste sentido.
Agradeço desde já a sua atenção,
Tatiana L. Golias
Olá! Eu gostaria de encontrar um local por onde possa dialogar com presidiárias femininas e ex-presidiárias femininas aqui em Portugal.
Estou começando na arte da escrita e preciso de informações nessa área. a informação é escassa e quero reunir informação a respeito para me poder documentar para esse meu livro.
Um abraço de um AnJO que quer partilhar seus ideais através de seus livros contando e comentando certas e determinadas vivências!!!
1181 http://www.dish-network-w.com
dish network
6783 right spot ruffus
Afixado por: hoodia em fevereiro 4, 2005 12:36 AM4945 printer ink
ink cartridges
inkjet cartridges
printer cartridges
inkjet cartridge
epson ink cartridge
inkjet
printer cartridges
ink cartridge
hp ink cartridges
epson ink cartridges
canon ink cartridge
canon ink
discount ink cartridges
epson inkjet cartridge
printer ink cartridges
lexmark ink cartridges
cheap ink cartridges
lexmark ink
hp inkjet cartridges
hp inkjet cartridge
inkjet refill
epson inkjet cartridges
5057 Very nice site. Well done
Afixado por: cash advance em fevereiro 15, 2005 04:34 AM7948 Nice site here
Afixado por: fast debt consolidation em fevereiro 18, 2005 06:39 AM