O Socio[B]logue, depois de um breve interregno introspectivo, está de volta aos textos regulares. Regressa, também, com uma imagem renovada, uma nova filosofia e uma nóvel lógica de funcionamento. Além das reflexões e observações habituais, o Socio[B]logue inaugura, também, espaços novos. Regulares. Antes, porém, das novidades impõe-se uma clarificação daquilo que o Socio[B]logue é (ou melhor, daquilo que tem vindo a ser), na medida em que parece subsistir, em algumas das mensagens que recebo, alguma nebulosidade face aos propósitos deste blogue. O Socio[B]logue não é um espaço "científico". Está, na realidade, longe de o ser. A ciência rege-se por métodos, procedimentos e protocolos bem definidos que não se compadecem com imediatismos (neste caso não existem mecanismos de controlo metodológicos, o «peer review», etc.). O Socio[B]logue é, apenas, um espaço que procura produzir observações sociologicamente informadas sobre determinados fenómenos à medida das suas limitações. As minhas, entenda-se. O seu primacial propósito é, portanto, o de funcionar enquanto uma espécie de laboratório de experimentação sociológica. E não tem pretensões de ser algo mais do que isso. Essa opção implica, evidentemente, algumas reservas face ao que aqui é escrito, devido, primacialmente, à precareidade do conhecimento aqui produzido e apresentado. Por conseguinte, este espaço é apenas um albúm heterogéneo e assiduamente desordenado de reflexões, notas, apontamentos, notações, observações, considerações, impressões, comentários, indicações, pistas de pesquisa, interrogações, questões, problemas, curiosidades, informações, esboços, fragmentos, experiências, experimentações e escritos de gaveta sociológicos. Isto é, sociologicamente informados. Francisco José Viegas, em tempos, referiu-se a isso como «fazer sociologia em directo» [texto]. Em sociologia designamo-lo por «street corner sociology», «sociologia de bolso», «sociologia espontânea» (Pierre Bourdieu) ou «sociologia portátil» (Claude Javeau). A produção de conhecimento sociológico, científico, encontra-se nos antípodas do que aqui se faz. Demora, geralmente, longos meses ou anos a ser preparada e levada a cabo. Implica, por isso, um trabalho meticuloso, moroso, contínuo e aprofundado. Árduo. Envolve, também, um conhecimento muito especializado e extensivo sobre um determinado tema, um campo de saber e/ou um objecto de estudo. Todavia, no decurso desses longos processos de investigação vão sendo produzidas inúmeras observações sobre outros temas (contíguos, análogos, transversais, paralelos, marginais, etc.) que assumem a forma de pistas de pesquisa para projectos posteriores; observações esporádicas de interesse; curiosidades; etc. Essas impressões ficam, quase invariavelmente, perdidas na espuma dos dias, escondidas em gavetas sombrias ou relegadas para as margens e notas de pé de página das nossas vidas de todos os dias. Quase tudo o que publico no Socio[B]logue são observações dessa natureza - marginais e periféricas às minhas próprias preocupações sociológicas. Assim, quase tudo o que está contido no blogue são temas sobre os quais possuo um conhecimento algo limitado, tanto em termos de fundamentação teórica, como de conhecimento empírico. E essas limitações são devidas não somente à minha condição de aprendiz de sociólogo, mas também às próprias características deste espaço. Fica a clarificação. Como já foi referido, além das reflexões e observações habituais, o Socio[B]logue introduz agora alguns «aperfeiçoamentos».
*Glo [Glossário]: De periodicidade diária. Diariamente será afixada uma breve defiinção de um conceito sociológico ou antropológico. A fonte de inspiração para este espaço encontra-se num dos blogues no qual o Socio[B]logue se fundamentou inicialmente - sem dúvida, um dos melhores e um dos mais citados mundialmente. Falo de How to learn Swedish in 1000 difficult lessons do jornalista norte-americano Francis Strand. Actualmente a residir em Estocolmo na Suécia com o seu companheiro, Strand apresenta sempre, juntamente com os seus textos, a definição de uma palavra ou expressão sueca. Assim, não só reflecte a sua aprendizagem da língua, como vai partilhando esse processo com os seus leitores. Essa ideia parece ser, aliás, um óptimo veículo de aprendizagem (auto e hetero). E, por isso, o Socio[B]logue procura transpô-la para o campo sociológico. As definições apresentadas serão, habitualmente, retiradas de dicionários de sociologia, de glossários existentes ou consistirão em definições originais (sempre que não se tratarem de originais a fonte é, obviamente, indicada).
*Liv [Livro da Semana]: De periodicidade semanal. Será apresentado, todas as semanas, um livro no campo das ciências sociais, juntamente com uma breve recensão sobre o mesmo.
*Bib [Bibliografia]: De periodicidade quinzenal. De quinze em quinze dias será afixada uma pequena bibliografia sobre um tema, um objecto de estudo ou um campo sociológico.
*Bio [Biografia]: De periodicidade mensal. Todos os meses será exposta uma pequena biografia de um autor no campo das ciências sociais.
*De vez em quando existirão semanas temáticas onde se procurará que exista uma consistência e uma temática comum em parte significativa dos posts, livros recomendados, bibliografias e entradas do glossário. Será inusitado recordar que serão bem vindos quaisquer contributos e/ou sugestões para estes novos espaços.
Nota adicional 1: Joaquim Paulo Nogueira (Respirar o Mesmo Ar) criou agora um blogue intitulado Metablogue. O Metablogue pretende ser um observatório de discursos metabloguistas, ou melhor, uma espécie de arquivo do metabloguismo: um espaço que procurará ir registando e arquivando os textos e os debates sobre a blogosfera e o mundo dos blogues. O autor convidou-me para o ajudar - o que aceitei prontamente. Espera-se que seja uma ferramenta útil para quem deseja pensar sobre o mundo dos blogues.
Nota adicional 2: Nos próximos dias os textos terão uma cadência maior que a habitual de modo a colocar a escrita em dia (estou em dívida para com o Pedro Fonseca, a Isabel Tilly, o Pedro Sanches e o Mário Pires). Tenho, ainda, que desculpar por este período de maior inconstância e descontinuidade.
Publicado por socioblogue em julho 24, 2003 04:05 PM