julho 30, 2003

GLO: McDonaldização

McDonaldização. Termo controverso originalmente cunhado e desenvolvido por George Ritzer, sociólogo norte-americano da Universidade de Maryland, para se referir à radicalização do processo de racionalização nas
sociedades contemporâneas. McDonaldização, diz-nos Ritzer, "é o processo pelo qual os princípios do restaurante de comida rápida estão a dominar cada vez mais sectores da sociedade norte-americana, bem como do resto do mundo" (Ritzer, 1993:1; nossa tradução). Esse processo assenta então, segundo o autor, na consolidação e generalização do modelo da indústria da "fast-food" enquanto paradigma organizacional e social predominante na contemporaneidade. Esse paradigma, crescentemente hegemónico, fundamenta-se em cinco princípios básicos: eficiência, calculabilidade, previsibilidade, controlo acrescido e substituição de tecnologia humana por tecnologia não-humana. Após a publicação da obra de Ritzer, um clássico da análise sociológica dos anos noventa, alguns autores procuraram reformular o argumento do autor recorrendo a termos não menos originais. Alan Bryman, por exemplo, tem proposto um conceito improvável e inaudito: a «disneyzação da sociedade».

Ritzer, George (1993), The McDonaldization of Society, Thousand Oaks: Pine Forge Press.

Publicado por socioblogue em julho 30, 2003 03:55 AM
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Cometas e Estrelas

Há pessoas estrelas;
Há pessoas cometas.
Os cometas passam. Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam.
As estrelas permanecem. Os cometas desaparecem. Há muita gente cometa.
Passam pela vida da gente apenas por instantes, gente que não prende ninguém e a ninguém se prende. Gente sem amigos. Gente que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença. Há muita gente cometa. Assim são muitos e muitos artistas. Brilham apenas por instantes nos palcos da vida.
E com a mesma rapidez com que aparecem, também desaparecem.
Assim são muitos reis e rainhas de todos os tipos. Reis de nações, rainhas de clubes ou concurso de beleza. Assim rapazes e moças que se enamoram e se deixam com a maior facilidade. Assim são pessoas que vivem numa mesma família e que passam pelo outro sem serem presença. Importante é ser estrela.
Estar presente. Marcar presença. Estar junto. Ser luz. Ser calor. Ser vida.
Amigo é estrela. Podem passar os anos, podem surgir distâncias, mas a marca fica no coração. Coração que não quer enamorar-se de cometas que apenas atraem olhares passageiros. E muitos são cometas por um momento. Passam, a gente bate palma e desaparecem. Ser cometa é não ser amigo. É ser companheiro por instantes. É explorar sentimentos. É ser aproveitador das pessoas e das situações.
É fazer acreditar e desacreditar ao mesmo tempo. A solidão de muitas pessoas é conseqüência de que não podem contar com ninguém. A solidão é resultado de uma vida cometa. Ninguém fica. Todos passam. E a gente também passa pelos outros.
Há necessidade de criar um mundo de estrelas. Todos os dias poder vê-las e senti-las.
Todos os dias poder contar com elas. Todos os dias ver sua luz e calor. Assim são os amigos. Estrelas na vida da gente. Pode-se contar com eles. Eles são uma presença.
São aragem nos momentos de tensão. São luz nos momentos escuros. São pão nos momentos de fraqueza. São segurança nos momentos de desânimo.
Olhando os cometas é bom não sentir-se como eles. Nem desejar prender-se em sua cauda. Olhando os cometas é bom sentir-se estrela. Marcar presença. Ter vivido e construído uma história pessoal. Ter sido luz para muitos amigos. Ter sido calor para muitos amigos. Ter sido calor para muitos corações. Ser estrela neste mundo passageiro, neste mundo cheio de pessoas cometas, é um desafio, mas acima de tudo uma recompensa. É nascer e ter vivido e não apenas existido.

Reinilson Câmara

Afixado por: Luciana Lemos em novembro 2, 2003 01:14 PM