Pedro Lomba (Flor de Obsessão), evocando Eco, acaba de escrever um apontamento sobre como se faz uma tese. Diz assim: "acumulamos notas, referências, leituras indesejadas, bibliografias, parágrafos pesados, prosa deslavada, lemos, relemos, copiamos, inventamos, acorremos a bibliotecas, sabemos de cor a exacta localização dos livros, retemos dezenas de títulos na cabeça, lombadas, capas duras, apetece-nos muito fazer isto, não nos apetece nada fazer isto, sabemos para onde vamos, não sabemos o caminho, horas sentados, horas sem avançar, horas a pensar no romance que ficou em cima da cómoda, dúvidas, hesitações, algum sofrimento, uma imensa satisfação com o trabalho que fica feito, hoje somos produtivos, ontem tudo saiu a custo, hoje não sai nada, aprender a viver assim, erráticos, moles, de vez em quando despertos, de vez em quando muito vivos, muito capazes, depois o tédio, a amargura, a impossibilidade, largar a cadeira, o computador, a mesa de trabalho e caminhar, caminhar sempre". É assim que passo os meus dias. Boa parte deles. Quase todos eles. Foi por isso, também, que nasceu o Socio[B]logue. Quando digo também, entenda-se, quero dizer sobretudo.
Publicado por socioblogue em agosto 21, 2003 05:10 AMainda não me decidi a escrever num blogue talvez porque não ainda não acabei a tese... está duro, apesar de estar praticamente a acabar.
talvez por o fim estar próximo, este não chega tão rápido. e sim era bom que chega-se já:)
Boa sorte... Espero que a conclua e que se junte à blogosfera.
Afixado por: Socio[B]logue em outubro 16, 2003 11:00 AM